Setembro amarelo, vamos falar sobre?

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Setembro Amarelo, mês de combate ao suicídio

Tristeza, cansaço constante, falta de apetite e alteração de humor são alguns dos sintomas ligados a uma doença que atinge grande parcela da população mundial: a depressão. Em meio a tanta correria e deveres a serem cumpridos ao longo do dia, sentir-se exausto ou até mesmo desmotivado é normal diante da atual rotina na sociedade. Entretanto, quando essas questões passam a incomodar e influenciar determinados tipos de comportamentos, é preciso dar a devida atenção e procurar ajuda o quanto antes. É importante lembrar que nem toda pessoa que tem depressão pensa em tirar a própria vida, mas ainda é uma das principais causas de suicídio.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), casos de depressão estão aumentando globalmente, cerca de 18% desde 2005. Porém, torna-se mais preocupante quando a doença não recebe o devido tratamento, desenvolvendo-se em algo grave e perigoso. Com isso, visando implementar projetos de combate ao suicídio, o Centro de Valorização da Vida (CVV) junto com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), foi criado em 2015 o “Setembro Amarelo”. Durante todo esse mês, é comum ver, em diversas localidades do país, espaços públicos e privados decorados e/ou iluminados com a cor amarela. Esse período foi escolhido pelo fato de 10 de setembro ser o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Cristo Redentor, Rio de Janeiro

Infelizmente, casos de crianças ou adolescentes que tiraram a própria vida são cada vez mais recorrentes nos noticiários. Segundo a OMS, suicídio é a segunda maior causa de morte no planeta entre os jovens de 15 a 29 anos, ficando atrás somente da violência. Apesar desses dados serem assustadores, servem também como um alerta à população sobre a importância de discutir esse tema, principalmente entre os mais novos. Situações em que muitas vezes são ignoradas pelos pais como problemas familiares, bullying dos colegas na escola ou algum tipo de rejeição, podem causar um grande impacto na vida dos adolescentes, já que essa é a fase de grandes mudanças, tanto físicas como mentais.

Uma série que aborda esse tema e ficou conhecida recentemente é a Thirteen Reasons Why (“Os 13 Porquês”), de Brian Yorkey. Na trama, Hannah Baker (Katherine Langford), uma menina de 17 anos, grava 13 mensagens em fitas cassete explicando os motivos e os responsáveis pelos quais a levaram ao suicídio. Essa séria dividiu opiniões entre aqueles que gostaram da forma como foram dramatizadas certas questões que atormentam a vida de alguns adolescentes, e de quem achou que as cenas servem como um “gatilho” para indivíduos que possuem tendências suicidas. De qualquer forma, levantou importantes discussões sobre suicídio e sobre como ele deve ou não ser abordado.

Apesar desse tema estar ganhando seu devido lugar na mídia, ainda existe um certo tabu que impede um debate mais amplo. Doenças metais ainda são vistas com preconceito pelo fato de não serem fisicamente visíveis. Para os especialistas, existe a necessidade de colocar esse tipo de transtorno mental no topo da lista de preocupações de políticas públicas e de empresas, já que são esquecidas por vários segmentos. Por esse motivo, cada vez mais surgem formas de encontrar ajuda e apoio, principalmente na internet. O Twitter, por exemplo, firmou parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), a fim de criarem campanhas que ajudem pessoas que passam por essa difícil situação.

A primeira ação foi no dia 10 de setembro, quando foi criada a hashtag #ExisteAjuda, em que o intuito é reunir tanto os usuários da rede social como especialistas para promoverem discussões sobre o assunto. Além disso, a plataforma também exibe mensagens de incentivo quando é registrado uma busca sobre esse tema, incluindo uma lista de contatos do CVV, para que interessados possam conversar a respeito. A iniciativa é global e inclui Alemanha, Austrália, Espanha, Hong Kong, Irlanda e Reino Unido, que terão uma participação em suas representações na rede social. É necessário salientar a importância de dizer sim à vida e que procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim de coragem para enfrentar os leões que vivem na mente.

Além disso, nada do que está escrito na internet vale mais do que um acompanhamento com um profissional de saúde. Caso precise de apoio emocional e prevenção ao suicídio, o CVV realiza atendimento voluntário e gratuito para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por meio de telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Para ter acesso a mais informações é só ligar para 188.


By: Fernanda Chaves, Jornalista e Correspondente Internacional do UK No Ar
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