Paixão por torcer

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As arquibancadas dos estádios de futebol sempre foram consideradas um lugar predominantemente masculino. Porém, o espaço, hoje, está muito mais diverso com uma maior presença feminina, segundo a última pesquisa IBOPE.

De acordo com um estudo feito pela PluriConsultoria em 2012, o Rio de Janeiro é o segundo estado com a maior torcida feminina do país, os quatro times grandes, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, somam 19,64 milhões de torcedoras.

O Flamengo lidera o ranking com 14,1 milhões de mulheres que torcem pelo time, o que representa, aproximadamente, 48% do total de torcedores.

Com uma maior presença, também cresceu o número de mulheres que fazem parte de torcidas organizadas. Porém, a primeira torcida organizada não oficial criada no Brasil surgiu no início do século XX e era totalmente feminina. Composta por mães, mulheres e filhas de jogadores do time Atlético Mineiro elas levavam bandeirinhas nas cores do clube para acompanhar os familiares nos jogos. No formato atual, as organizadas começaram em 1939 no São Paulo Futebol Clube, já no Rio de Janeiro, a primeira torcida desse formato foi do Fluminense.

A flamenguista Ana Carolina do Nascimento diz que conheceu a torcida Nação 12 Fla por conta do namorado. Ela sempre acompanhou o time com a família, mas nunca teve o costume de frequentar os estádios, foi ele quem a levou para o primeiro jogo. Ana afirma que entrar para a torcida foi um processo natural, já que o companheiro fazia parte e ela se interessou pelo modo de torcer da organizada. “Meu namorado, já era da 12, então eu o acompanhei e acabei me apaixonando pela ideologia da torcida. O jeito de apoiar e incentivar o Flamengo em todas as modalidades, não só no futebol, os cantos entre outras coisas.”

Renata Landulpho foi criada no meio de torcida organizada, o pai era um dos diretores de uma organizada do Botafogo nos anos de 1980. Ela já fez parte de outra torcida, mas desde 2013 integra a Loucos pelo Botafogo, por considerar que essa incentiva as famílias a irem aos estádios e se sentir mais segura e a vontade para levar o filho de nove anos e ir grávida aos jogos. “Já fui de outra torcida do Botafogo, mas desde meados de 2013, entrei para a Loucos, por ser uma torcida da cultura que explora a paz pelos estádios. A torcida repudia qualquer ato de violência, e é a única torcida no Rio de Janeiro que não possui nenhum registro no Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) em caso de violência.”

O site Fala Torcedora reúne relatos de mulheres de todo o país que passaram por diferentes formas de agressões nos estádios, que variam desde a má condição dos banheiros ao assédio de homens, e busca mostrar que elas vão as partidas por amor ao time e não como acompanhante de alguém. Outra iniciativa é o movimento Mulheres na Arquibancada que promove encontros desde 8 de março de 2017 para discutir a forma como a mulher é vista nas arquibancadas e o que deve ser feito para essa visão mudar. Desde a criação, o movimento faz debates em diferentes cidades do país.

As duas torcedoras afirmam nunca terem sofrido nenhuma violência por serem mulheres e acompanharem os times. Renata diz que já ocorreram casos isolados, mas que as vítimas rapidamente protestaram contra o ocorrido. Segundo ela, a Loucos pelo Botafogo é uma torcida totalmente receptiva para mulheres e elas possuem cargos de liderança. A flamenguista Ana conta que a Nação 12 é acompanhada por cerca de 60 meninas e que muitas se voluntariam para fazer tarefas na organizada. Ela faz parte da equipe que administra as redes sociais da 12 e afirma que nunca sentiu nenhuma diferença por ser uma mulher no meio da torcida e que dentro da organizada todas têm voz ativa e participação nos setores de administração.


By: Julia Carvalho, jornalista e correspondente internacional UK No Ar
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