Lana del Rey é criticada ao se recusar a cancelar show em Israel

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Lana del Rey em show no Rio de Janeiro (2013)

A cantora americana Lana del Rey está envolvida em uma polêmica desde a semana passada, quando marcou presença no festival Meteor na cidade de Tel Aviv, em Israel. Ativistas, especialmente membros do movimento Boicote – Desinvestimento – Sanções (BDS), uma campanha global de boicote ao Estado de Israel, tem pressionado a cantora a cancelar a apresentação por conta das ações militares de Israel contra Palestina.

No domingo passado (19), Del Rey defendeu sua decisão de manter o show em Israel no Twitter, ela argumentou que “a música é universal e deveria ser usada para nos unir” e que “tocar em Tel Aviv não é uma declaração política, assim como tocar na Califórnia não significa que minha visão está alinhada com o atual governo e, às vezes, suas ações desumanas.” A cantora tem o costume de abertamente criticar o governo Trump nas redes sociais.

Roger Waters, ex líder da banda Pink Floyd e membro do movimento BDS, respondeu a defesa da cantora no Facebook e instigou que Del Rey cancelasse a apresentação. Na postagem, o cantor escolheu citar Desmond Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, “Se você permanecer neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor”. BDS conseguiu convencer o grupo sul-africano Black Motion de cancelar sua aparição no Meteor, mas outros artistas como ASAP Ferg, Kamasi Washington e Of Montreal mantiveram e ainda não se pronunciaram.

Del Rey foi ao Instagram para contestar a crítica de Waters, e revelou que tem planos de visitar a Palestina também. Ela ainda mandou um recado diretamente para o roqueiro, “Eu li sua declaração sobre tomar uma ação mesmo acreditando na neutralidade, completamente entendo o que você disse, e essa é a minha ação”, completou.

A PACBI (Campanha Palestina pelo Boicote Acadêmico e Cultural de Israel) emitiu uma resposta no Twitter para a defesa de Del Rey, “Nós pedimos que você reconsidere. Duvidamos que você teria se apresentado na África do Sul durante o Apartheid, assim como artistas estão se recusando a fazer shows no Apartheid de Israel. Por favor, respeite os nossos limites e cancele o show no Meteor.”

Ano passado, a cantora Lorde cancelou seu show em Israel após mensagens de protesto, “tive muitas conversas com pessoas com diversos pontos de vista, e acho que a decisão correta neste momento é cancelar o show”, ela acredita que cancelar o show é a decisão correta.” declarou.

Artistas brasileiros também tem se posicionado, Gilberto Gil cancelou um show que faria em julho em Tel Aviv após o exército israelense matar cerca de 60 palestinos em um protesto na faixa de Gaza. Em entrevista à Folha de São Paulo, o produtor do show de Gil, Daniel Ring, afirmou que “a seletividade do boicote é incoerente. “Se fosse assim, teria de boicotar também o Brasil, pela situação política e de desrespeito aos direitos humanos. Teria de boicotar os EUA, a Venezuela, Cuba.”

Entretanto, um número significante de artistas não deixaram de tocar em Israel. Madonna escolheu Tel Aviv para ser a cidade estréia do seu tour The MDNA em 2012, Radiohead também tocou na cidade no ano passado. O vocalista Thomas Yorke ainda defendeu a escolha numa carta aberta dizendo que “tocar num país não é a mesma coisa do que defender o seu atual governo” e que “não apoiamos Netanyahu como não apoiamos o Trump, mas ainda tocamos nos Estados Unidos da América.”


By: Maria Eduarda Lannes, Jornalista e Correspondente Internacional do UK No Ar
Maria Eduarda Facebook / Maria Eduarda Twitter


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