Baixas taxas de vacinação seria a causa da epidemia de sarampo na Europa

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© Sergei Supinsky, AFP | Uma enfermeira injeta uma vacina contra o sarampo em uma menina em uma policlínica pediátrica em Kiev em 15 de janeiro de 2018.

A França está entre os países mais atingidos na pior epidemia de sarampo na Europa em uma década, e os especialistas dizem que qualquer pessoa que não esteja vacinada ou não tenha a doença está em risco de infecção.

Na França, três pessoas morreram de sarampo entre janeiro e junho deste ano. Elas estão entre as 41 mil pessoas na Europa que sofreram com a doença durante esse período – mais do que qualquer outro período nesta década – e 37 foram mortos por ela, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Criança sendo vacinada

Em contrapartida, em 2017, 23.927 pessoas na Europa contraíram sarampo, um aumento considerável em relação aos 5.273 casos registrados no ano anterior. 

Metade dos casos deste ano ocorreram na Ucrânia, segundo a OMS, com França, Itália, Grécia, Sérvia e Rússia, todos com mais de 1.000 casos.

As autoridades francesas de saúde pública dizem que mais de 2.700 pessoas contraíram a doença no país desde novembro passado. Entre janeiro e maio deste ano, quatro pessoas morreram da doença na Itália, incluindo um bebê de 10 meses, segundo dados divulgados em julho pelo Instituto Nacional de Saúde da Itália.

A desconfiança em vacinas é forte em toda a Europa

“A questão é a imunização”, disse o Dr. Dragan Jankovic, Oficial Técnico do Doenças Previníveis por Vacinação e Imunização do escritório regional da OMS para a Europa, que explicou que uma pessoa precisa receber duas doses da vacina para estar ser imunizada.”

Parte do problema é que a desconfiança em vacinas continua forte em muitas partes da Europa, especialmente na França, que tem uma das maiores taxas de ceticismo contra vacinas do mundo. 

Adultos também precisam ser vacinados para estarem imunes ao sarampo

A vacina MMR – que protege contra sarampo, caxumba e rubéola – é particularmente problemática por causa de um artigo publicado em 1998 que alegava uma associação entre a vacina, a doença intestinal e o autismo.

A comunidade médica tradicional realizou muitos estudos desde então e continua a sustentar que tal ligação não é evidente e que a vacina é segura. Muitos pais ainda não estão convencidos e recusaram-se a imunizar seus filhos.

Os adultos podem estar em risco também. As vacinas só se tornaram padrão na Europa em 1967, disse Jankovic, e nem todos receberam as duas doses necessárias.

A polêmica da ligação entre a MMR e o autismo

Qualquer pessoa que esteja próximo dos 60 anos ou mais e não tenha um histórico confirmado de sarampo deve ser vacinada.

Os EUA emitiram alertas relacionados ao sarampo para o Reino Unido, França, Grécia, Itália, Romênia, Sérvia e Ucrânia.

É praticamente impossível se proteger contra a doença, se alguém não tiver sido imunizado. “O sarampo é uma das doenças mais fáceis de se transmitir”, disse Jankovic. “Uma pessoa pode infectar entre 18 e 25 [outros], dependendo do ambiente.”

Na França, a vacinação será obrigatória a partir de 2018.

O vírus pode ser transmitido através da tosse ou espirro e é uma das principais causas de morte entre as crianças pequenas.

A Itália respondeu ao surto introduzindo uma lei exigindo que os pais vacinassem seus filhos contra o sarampo e outras nove doenças. A Romênia aprovou uma lei semelhante que incluiu penalidades e multas significativas para quem não se vacinar . Na França, 11 vacinas agora são obrigatórias, incluindo a do sarampo.


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