Atentado a Jair Bolsonaro aumenta a polarização a um mês das eleições

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Jair Bolsonaro sendo levado para o hospital depois de levar a facada na quinta-feira (6)

A facada que dividiu ainda mais o Brasil. O atentado ao candidato presidencial Jair Bolsonaro aumenta a tensão entre a esquerda e a direita no país, oscila a bolsa, dispara o câmbio e preocupa eleitores. Nesta quinta-feira (6), o deputado Jair Bolsonaro, do PSL, sofreu uma perfuração no abdômen durante campanha em Minas Gerais e foi encaminhado às pressas para o hospital.

Em vídeo postado nas redes sociais, o político aparece nos braços de eleitores quando um homem levanta uma faca e perfura o lado direito de seu corpo.
Houve uma comoção geral e Bolsonaro foi levado à Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa da Misericórdia de Juiz de Fora (MG). A princípio, acreditava-se que a ferida era superficial, mas depois de uma ultrassonografia foi constatada uma lesão no intestino grosso do candidato, que passou por cirurgia e segue internado, embora seu estado seja considerado “estável”.
O autor da facada foi contido pela multidão, recebendo voz de prisão. A polícia já o identificou como Adélio Bispo de Oliveira, 40 anos, já com passagem na polícia por lesão corporal. Em depoimento, o acusado diz ter agido a “mando de Deus”.

Adélio Bispo de Oliveira, o homem que deu a facada em Bolsonaro, foi levado pela policia

Vários veículos midiáticos destacaram a sua filiação ao PSOL durante 7 anos. Ele foi indiciado na Lei de Segurança Nacional, que abrange crimes de motivação política, e sua pena pode variar de 3 a 10 anos de reclusão.
O ataque desta quinta-feira intensificou o cenário de instabilidade em que o país se encontra.

General Mourão, vice de Bolsonaro, divulgou uma nota acusando o PT de ter organizado a represália: “Trata-se de uma agressão gratuita e sem nexo, cuja a única finalidade é tentar tumultuar o processo e mostra, simplesmente, o desespero do grupo que se pretendia dono do poder, e vê fugir-lhe às mãos, tendo o seu principal líder atrás das grades, como o ladrão que é.” Ao dizer “líder atrás das grades”, Mourão faz referência a Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente pertencente ao PT, atualmente preso.

Jair Bolsonaro estava em Juiz de Fora, MG, quando sofreu o ataque (Foto: reprodução)

Além dele, General Augusto Heleno, oficial da reserva e cotado como possível Ministro da Defesa no caso da vitória de Bolsonaro, também deu sua opinião. Em entrevista à revista Metrópoles, ele alegou: “Isso [o ataque] é fruto da polarização [política] que estão fazendo no país. Estão colocando o Bolsonaro como inimigo da pátria. Isso é terrível, uma canalhice fora dos parâmetros da democracia”.

O cientista político Carlos Melo fez uma análise do ataque em seu blog. Preocupado, o caracterizou como uma “barbárie”. Para ele, atos de violência são a negação da essência da política, que seria mediar e buscar consensos e saídas. No entanto, garante que a situação era previsível. Comparou a disputa política no Brasil a briga de torcidas, extremamente polarizada: “Era mais que evidente, era óbvio que um processo como este que o país vive não poderia acabar bem. A disputa política há tempos virou briga de torcidas – Grenal, Fla-Flu, Corinthians X Palmeiras.”

Inimigo da pátria ou mártir?

Jair Bolsonaro, candidato a Presidencia da Republica

Jair Messias Bolsonaro é o candidato à presidência mais controverso que o Brasil já viu. Envolvido em diversas polêmicas causadas por opiniões racistas e homofóbicas, o deputado filiado ao Partido Social Liberal também defende o armamento da população, a redução da maioridade penal e a proibição da discussão de ideologia de gênero nas escolas.

Sua rejeição subiu de 37% para 44% na última pesquisa divulgada pelo IBOPE, o que mostra uma preocupação do brasileiro com a possibilidade do deputado assumir o posto presidencial. Apesar de reunir 22% das intenções de voto, a mesma pesquisa simulou um panorama do segundo turno que mostrou Bolsonaro sendo derrotado em todos os cenários. Ele já afirmou que seria “incapaz de amar um filho gay”, que “fuzilaria os ‘petralhas’” da oposição e que “seu filho não se relacionaria com uma mulher negra”.

Polarização nas redes sociais

Vereadora do PSOL Marielle Franco, morta em março deste ano

Em março deste ano, a vereadora do PSOL Marielle Franco foi assassinada voltando de uma palestra no centro do Rio de Janeiro. No mesmo mês, a caravana de Lula foi atingida por tiros no Paraná e Bolsonaro aplaudiu o ataque.

Ambos os crimes tiveram como alvo a esquerda, foram planejados e com motivações políticas. No cenário de campo de batalha pelo poder, o ódio aflora nos brasileiros das duas vertentes, principalmente nas redes sociais.
Usuários se solidarizaram com o candidato através da hashtag #ForçaBolsonaro no Twitter, em primeiro lugar nos tópicos mais comentados no site. Em contrapartida, outros acusaram o ataque de ser uma jogada de marketing e acreditam que Jair teve o que mereceu. É o caso da ex-presidente Dilma Housseff, que comentou o acontecido e disse que “quando se planta ódio você colhe tempestade”. O pastor Silas Malafaia não poupou palavras e atribuiu a autoria do crime ao PT, mesmo sem provas.

O pastor Silas Malafaia se pronunciou no Twitter sobre o ataque a Jair Bolsonaro

“O ataque a Bolsonaro é a mais recente evidência de que o ódio impregnou de tal maneira partes da sociedade que qualquer hipótese de conciliação se torna perto de impossível”, opinou o jornalista Clóvis Rossi em sua coluna na Folha de S. Paulo. Ao fazer uma simples busca no Twitter pelo sobrenome do deputado, acusações vêm de todos os lados.

Manifestações no Twitter apos o atentado contra Jair Bolsonaro

Leonardo Sakamoto, jornalista e cientista político, lamenta a situação e afirma que, mesmo que muitos não concordem com as opiniões de Bolsonaro, a liberdade de expressão é parte da democracia. “Uma coisa é protestar contra candidatos e suas propostas para o país. Ou mesmo exigir que enfrentem a Justiça e sejam punidos, conforme a lei, por eventuais crimes cometidos. Outra coisa é tentar assassinar representantes políticos e, com isso, calar aqueles que eles representam. Esse limite entre civilização e barbárie estava sendo posto à prova repetidas vezes. E, agora, voltou a se romper.”

A partir do momento que a liberdade de expressão é ameaçada, a democracia brasileira também sofre as consequências, tornando-se ainda mais fragilizada.


By: Paula Felix, Jornalista e Correspondente Internacional do UK No Ar
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