Atenção com o que se lê online

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As fake news têm crescido internacionalmente e causam preocupações para as decisões do voto brasileiro em 2018

Já de inicio o termo fake news apresenta-se ligado a um cunho político. Para a pesquisadora da Digital Harvard Kennedy School Yasodora Córdova, esse problema começou com o objetivo de impactar a campanha eleitoral americana entre Hilary Clinton e Donald Trump. Com tom sensacionalista, títulos chamativos e uma mensagem aliada a um viés ideológico específico, as fake news têm crescido internacionalmente e causam preocupações para as decisões do voto brasileiro em 2018.

Seja através de grupos no Whatsapp, Facebook ou Twitter, as fake news chegarão até você. Além de ser uma forma de compartilhar interesses, o número de pessoas usando a internet para ler noticias só aumenta. Segundo a reportagem do jornalista Fábio Victor, “A engrenagem de notícias falsas no Brasil”, a quantidade de brasileiros de grandes centros que usam as redes sociais para se informarem foi de 47% em 2013 para 72%. Dessa forma, o que antes eram boatos espalhados oralmente, hoje ganham força através de uma ferramenta capaz de atingir boa parte da população.

Com o pedido para que sejam compartilhadas entre amigos, as famosas e infames correntes de informação possuem poucos parágrafos, mas carregados de apelo emocional. É preciso se ter atenção com o que se lê online e por quem a matéria é assinada. Ainda mais pelo fato das fake news não serem apenas uma forma de difundir opiniões pessoais, mas sim manipular os leitores. De acordo com o filósofo Pablo Ortellado, que gerencia o Monitor, essas noticias não são falsas por causa de uma apuração mal feita, mas por um intuito malicioso.

O cenário é então de uma guerra de informação. Com novos textos chegando a todo momento, filtrar noticias se torna cada vez mais difícil. Um levantamento realizado pela Agência Advice Comunicação Corporativa, por meio do aplicativo Bonus Quest, apontou para esse problema. Segundo os índices apresentados, entre os 78% dos brasileiros que utilizam as redes sociais como fonte de informação, 42% reconhecem já ter compartilhado notícias falsas. Sendo que apenas 39% dos entrevistados declararam checar as fontes de informação dos textos.

Em questão de período eleitoral, as consequências desse problema se tornam mais alarmantes. Como afirma a diretora da agência de checagem Lupa, Cristina Tardáguila “a probabilidade é 1.000% de notícias falsas permeando as campanhas de presidente e de governadores. Aconteceu com nossos vizinhos, na Argentina e Colômbia.” Para combater esse impacto negativo, ferramentas de checagem de fatos tem surgido. Além da Lupa, sites de jornais tradicionais e projetos independentes reúnem grupos de jornalistas para determinarem a credibilidade das notícias compartilhadas online. Um exemplo é o Comprova, com profissionais de 24 veículos de comunicação diferentes, a plataforma possui o foco de investigar as informações enganosas durante a campanha eleitoral.

Em palestra realizada na PUC-RIO, no dia 20 de agosto, o professor e jornalista Chico Otávio falou sobre fake news e formas de abordar esse malefício. Um dos pontos apresentados foi que profissionais da comunicação precisam averiguar fontes e serem rigorosos no trabalho de apuração. No entanto, aponta para o fato de que com as redações cada vez mais enxutas, os repórteres não deveriam deixar de escrever matérias necessárias para checarem tudo o que é espalhado nas redes sociais.

De acordo com Chico Otávio, as fake news funcionam como motor para o medo propositalmente, fortalecendo um candidato com boatos. Por isso, um problema com esse grau de impacto precisaria ser tratado pelo governo. Sendo uma questão penal, o jornalista defende que o autor de tais noticias inventadas deve ser considerado um criminoso. Dessa forma, ele lembra da existência no Brasil de Diretorias de Crimes Cibernéticos, argumentando que já existem órgãos para lidar com isso. Portanto, seria fundamental que entidades públicas usem do aparato legislativo para tomarem providências eficazes contra a fake news. Em um esforço ainda em tempo na contenção daquilo que ameaça a democracia.


By: Ana Carolina Francisco, Jornalista e Correspondente Internacional do UK No Ar
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